Amores Possíveis

O primeiro diálogo foi aceito com muita emoção.
Algumas pessoas gostaram, outras não; mas todos falaram disso.
O Rabino Eliezer mandou outro diálogo.
Publicaremos um capítulo a cada semana.
Por favor, sintam-se à vontade para nos enviar os seus comentários.

 

O DIÁLOGO COM CAROLINA

 

Os nomes foram mudados para proteger o anônimato dos protagonistas.

 

1.

De: Carolina Grinberg
Para: Rabino Eliezer Shemtov
Data: 19 de julho de 2006
Assunto: Pergunta

Rabino Shemtov,

Meu nome é Carolina Grinberg, sou da Argentina e Baalat Teshuvá.

Fui informada de algumas situações em que o Rabino respondeu a perguntas por e-mail e por isso estou interessada, porque meu pai começou a fazer perguntas sobre o judaísmo, e às vezes não sei o que responder; sugeri-lhe que escrevesse para um Rabino, e quando ele decidiu escrever, o Rabino disse que não tinha tempo para responder-lhe, o que me deixou muito decepcionada.

Várias vezes meu pai me questionou em relação ao judaísmo, esclareci-lhe muitas dúvidas, mas há assuntos que não sei como explicar; na semana passada, desta vez sem reprovar-me, fez algumas perguntas porque sinceramente quer saber.

É um grande avanço para mim que meu pai começou a se interessar, espero que ele continue assim e de alguma forma entenda meu envolvimento, não rejeitando tanto o tema.

Tenho comigo as perguntas que ele fez, mas antes gostaria de saber se o Rabino tem tempo, se está disponível para iniciar um diálogo. Meu pai não sabe que estou escrevendo.

Muito obrigada pelo seu tempo e aguardo a sua resposta.

Carolina

2.

De: Rabino Eliezer Shemtov
Para: Carolina Grinberg
Data: 19 de julho de 2006
Assunto: Pergunta

Estimada Carolina,

Obrigado pelo seu e-mail.

Eu gostaria de tentar responder as perguntas de seu pai.

Ajudaria muito se você me enviasse a relação das perguntas para eu ter uma idéia clara do que se trata.

Desta forma, poderei dar-lhe minha opinião sobre o assunto.

Atenciosamente,

Rabino Eliezer

3.
De: Carolina Grinberg

Para: Rabino Eliezer Shemtov

Data: 19 de julho de 2006

Assunto: Pergunta


Rabino Shemtov,

Encaminho-lhe o e-mail das perguntas que meu pai escreveu:

Pelo fato do senhor ser um estudioso do judaísmo, gostaria de fazer-lhe algumas perguntas sobre determinados assuntos que são confusos para mim.

Se eu não cumpro Shabat, que mal pode me acontecer?

Compreendo que a continuidade do povo judeu se deve, fundamentalmente, pela manutenção das tradições, porém é necessário não acender a luz, um avanço indispensável na vida das pessoas, em minha opinião? Ou é mais importante seguir um costume medieval para manter minha identidade judaica?

É indispensável para o judaísmo que as mulheres não usem calças compridas e cubram o cabelo? Os talibãs conhecem bem o assunto, basta olhar a vestimenta de suas mulheres; eles também seguem o mesmo princípio teológico, ou melhor, o de evitar a sedução.

Tenho curiosidade de saber se, para manter a tradição judaica, devemos passar o dia de sábado como se fazia há mil anos atrás.

E a reencarnação, existe? Se existe, como se sabe?

Enfim, eu gostaria de saber se o senhor poderia me esclarecer estas dúvidas, e agradeço antecipadamente sua resposta.

Dr. Mario Grinberg

Bem, espero sua resposta, e muito obrigada por dedicar seu tempo a este assunto.

Acho surpreendente que, apesar de não nos conhecermos, o senhor queira ajudar desinteressadamente.

Para mim, este assunto é muito importante, e ainda mais se, através deste diálogo, eu puder me aproximar da minha família.

Gostaria de saber qual a melhor forma de nos correspondermos, se encaminho seu e-mail para meu pai, ou se o senhor prefere responder através de meu próprio e-mail.

Agradeço antecipadamente,

Carolina

 

4.

De: Rabino Eliezer Shemtov

Para: Carolina Grinberg

Data: 19 de julho de 2006

Assunto: Pergunta

Estimada Carolina,

Não sei se é melhor seu pai escrever direto para mim ou por seu intermédio.

Talvez você poderia mostrar-lhe o site abaixo, que tem algumas respostas minhas publicadas, e ver se ele gosta do meu estilo e quer se corresponder diretamente.

http://jai.com.uy/pregjabadasimilacion.htm
(há mais respostas no final da página)

Atenciosamente,

Rabino Eliezer

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1.

De: Dr.Mario Grinberg
Para: Rabino Eliezer Shemtov
Data: 21 de julho de 2006
Assunto: Perguntas

Prezado Rabino:

Sou de Córdoba (Argentina), ashkenazi e estou escrevendo porque tenho algumas dúvidas sobre a religião judaica. Meus pais não guardavam Shabat, nem jejuavam em Yom Kipur, tudo o que faziam era ir à sinagoga em Rosh Hashaná e Yom Kipur e, em Pessach comiam pão. Apesar disso, eu sempre soube e não me passava pela mente, casar com uma mulher não-judia.

Hoje conto com 55 anos e tenho um filho de 28 anos casado com uma não-judia, outro filho que está namorando com uma não-judia e uma filha que frequenta o Beit Chabad, guarda Shabat, come casher, etc.

Sou membro ativo da comunidade e tenho ocupado cargos em diversas comissões executivas e atualmente sou membro da DAIA –Delegación de Asociaciones Israelita Argentinas.

Compreendo que a continuidade do povo judeu se deve fundamentalmente pela manutenção das tradições. Por que não se acendem as luzes no Shabat? Isto não seria um avanço impressionante na vida das pessoas? Ou é mais importante seguir um costume medieval para manter a identidade judaica?

É tão importante para o judaísmo que as mulheres não usem calças compridas e cubram o cabelo? Os talibãs fazem o mesmo, basta olhar para as roupas das mulheres e além disso seguem o mesmo princípio, o de evitar a sedução.

Por que somos sempre perseguidos? Se existe um ser sobrenatural, por que a inquisição? E o Holocausto? Por que tanto sofrimento?

Enfim, me dirijo ao senhor, porque acredito que suas palavras podem esclarecer estas dúvidas.

Desde já agradeço e peço desculpas por tomar seu tempo.

Um cordial Shalom
Dr. Mario Grinberg

 

2.

De: Rabino Eliezer Shemtov
Para: Dr. Mario Grinberg
Data: 24 de julho de 2006
Assunto: Perguntas

Prezado Dr. Mario,

Você me perguntou em sua carta:

"Compreendo que a continuidade do povo judeu se deve fundamentalmente pela manutenção das tradições. Por que não se acendem as luzes no Shabat? Isto não seria um avanço impressionante na vida das pessoas? Ou é mais importante seguir um costume medieval para manter a identidade judaica?”

Antes de explicar porque as luzes não são acesas no Shabat, gostaria de observar que não tem nada a ver com "seguir um costume medieval"; se fosse essa a razão, deveríamos proibir a utilização de eletricidade nos outros dias da semana, por exemplo os Amish da Pensilvânia não adotam o progresso tecnológico por princípio.

Ressalto também que os rabinos nunca foram ou são masoquistas, que preferem privar-se de tudo o que a vida moderna pode oferecer. Esta mesma comunicação (através da Internet e não através de pombos ...) é um bom exemplo disso.

O que acontece é que (entre outras coisas), o Judaísmo ensina que o homem deve dominar o mundo e não ser dominado por ele.

Agora, em relação ao Shabat:

Qual a razão para descansarmos no Shabat?

Recitamos o kidush a cada Shabat porque “ D’us criou o mundo em seis dias, descansou no sétimo e o santificou.”

Surge a pergunta: “Como é possível que D’ us tenha necessidade de descansar? Se D’ us é infinito, como se explica que tenha se cansado?”

Além disso, descansou do que? Como descansou? A Tora nos conta que o mundo foi criado quando D’ us disse algumas palavras. Quis criar a luz, e simplesmente ‘disse’: “que haja luz” e a luz apareceu! E o mesmo com toda a sua criação. Por que, então, Ele teve que descansar?
Evidentemente, não se trata de descanso de esforço, mas de
outra coisa. Trata-se do descanso de criar. D’us absteve-se de criar no Shabat e do mesmo modo estabeleceu ao povo judeu para toda a posteridade. No Shabat é proibido criar para reafirmar o fato de que o mundo é uma criação divina, cujo Criador deixou de criar ao completar os seis dias da criação.

Criação não é necessariamente sinônimo de esforço. Caminhar 10Km envolve esforço, mas não tem nenhuma relação com criação. Acender a luz não envolve muito esforço, mas implica em criação.

O que significa criação?

Nossos sábios definiram 39 exemplos de atividades proibidas no Shabat.

Acender o fogo é uma delas. Ligar o interruptor de luz é uma forma de criar fogo e portanto proibido no Shabat.

Aguardo seus comentários sobre o escrito acima, para seguirmos nosso diálogo e responder às outras suas perguntas.

Atenciosamente,

Rabino Eliezer Shemtov

P.S.: Anexo o material que publiquei sobre casamentos mistos (www.matrimoniomixto.com)

 

3.

De: Dr. Mario Grinberg
Para: Rabino Eliezer Shemtov
Data: 21 de julho de 2006
Assunto: Perguntas

Prezado Rabino Eliezer,

Antes de mais nada, gostaria de agradecer-lhe por ter dedicado o seu tempo em responder às minhas perguntas.

Entendo tudo o que o senhor disse a respeito do cumprimento do Shabat.

Receio que minhas dúvidas partam do princípio no qual o senhor se baseia, ou seja, a existência de um ser sobrenatural.

De fato, comentei que tenho uma filha que freqüenta o Beit Chabad e, claro, tenta cumprir o máximo possível.

Ela vive em Buenos Aires, tem 24 anos, fazemos kidush e tento segui-la em tudo o que posso. Mas infelizmente não me sinto à vontade.

Além disso, não vejo sentido na maneira de se vestir.

Na verdade, tenho dúvidas em relação à Tora. Acho que se existisse um ser superior, não deveria haver nenhuma injustiça: e se existe injustiça devido ao pecado original, ou à adoração do bezerro de ouro, ela deveria ter um fim. Afinal, já não sofremos o bastante?

Tinha uma amiga que era puro ouro, uma pessoa excepcional, sempre disposta a ajudar em que podia e mesmo assim morreu de câncer tendo sofrido terrivelmente. Como isso se explica se há justiça divina?

Peço desculpas, não tenho intenção de ofendê-lo, mas quero ser o mais sincero possível; além disso, ficaria feliz em ter com quem contar, para ter certeza que existe um ser superior.

Agradeço o material que o Rabino me mandou, ele realmente é muito instrutivo e, esteja certo que desfrutei de seu conteúdo.

Desde já me despeço e espero que não tenha incomodado.

Atenciosamente,                 

Dr. Mario

4.

De: Rabino Eliezer Shemtov
Para: Dr. Mario Grinberg
Data: 25 de julho de 2006
Assunto: Perguntas

Prezado Dr.Mario,

Gostaria de esclarecer que não me incomodo em receber seus e-mails.

Gosto de compartilhar meu conhecimento e vê-lo desafiado. Afinal, de que vale explicar os detalhes dos preceitos divinos e não ter fé em D’us?

Isso me faz lembrar uma história sobre um judeu que decidiu educar seus filhos de maneira que não acreditassem em D’us. Assim, os tirou da escola judaica e colocou para uma escola secular. Após algumas semanas, um dos filhos chegou em casa e começou a explicar ao pai sobre a trindade. O homem, completamente chocado, disse: "Olha meu filho, nós judeus não acreditamos em nada disso. Para nós existe um único D’us, mas tampouco cremos Nele.”

Em minha opinião, há uma diferença entre não acreditar em D’us e estar brigado com Ele. É fato que não entendemos tudo o que acontece no universo, em nossas vidas e muitos acontecimentos nos parecem injustos. Afinal, devemos nos conformar que é a “vontade divina”?

Depende. O único sofrimento que alguém tem direito de justificar é o próprio e nunca o sofrimento alheio. Por exemplo, Moshe e Avraham segundo a Torá argumentaram com D’us e “criticaram” sua maneira de julgar a humanidade.

Jamais devemos questionar o motivo da morte de alguém. Afinal, saberemos qual é a resposta? No entanto, devemos nos perguntar "por que e para que eu vivo". E a resposta está nas mãos de cada um.

Somos meros acidentes da natureza? Ou o resultado de um Big Bang? Qual explicação você se dá por satisfeito? Existe justiça e injustiça num mundo surgido espontaneamente?

É verdade que muitas vezes ficamos desiludidos quando as coisas não funcionam da maneira que gostaríamos. Por outro lado, podemos dizer que tudo que funciona é devido ao azar?

Não devemos ter fé em D’us apenas quando nos convêm; muitas vezes temos que tê-la apesar de nossa vontade.

Há muito o que dizer sobre este assunto e não esqueci suas outras perguntas, mas prefiro me aprofundar aos poucos. Por enquanto, deixo estas reflexões e aguardo seus comentários.

Atenciosamente,

Rabino Eliezer

5.

De: Dr. Mario Grinberg
Para: Rabino Eliezer Shemtov
Data: 25 de julho de 2006
Assunto: Perguntas

Com grande interesse li seus e-mails, que novamente agradeço. Na verdade,

nunca tive oportunidade (ou não procurei) de conversar sobre estas questões que me atingem de certa maneira.

“Acho que se deve distinguir entre não acreditar em D´us e estar decepcionado com Ele. Não é de se admirar que existem coisas no universo e na vida que não entendemos...

Existem muitas coisas que acontecem na vida que parecem ser injustas.”

Se você está decepcionado com Ele, acredito que é melhor, já que implicitamente você aceita sua existência; senão, como decepcionar-se com algo que não existe?

Certamente, você tem razão em relação à infinidade de coisas da vida que estão além de meu entendimento, e que me parecem injustas.

“O único sofrimento que se tem direito de justificar é o próprio; jamais se deve justificar o sofrimento alheio.”

Entendo que no caso de minha amiga, possa ter circunstâncias que desconheço que justificariam sua morte e toda a forma de morrer. Porém seria igual com a SHOA? Foi merecida tanta dor aos judeus exterminados lá?

Com certeza eu gostaria de ter fé, gostaria de acreditar. Porém, como se consegue ter fé? Acho que uma maneira é através da transmissão de pais para filhos, algo que não tive e tampouco minha filha e entretanto ela acredita. Talvez também seja por necessidade de apoiar-se nela (na fé) quando as angústias são intoleráveis. Poderá ser por convicção? Pode ser, porém me parece que a fé tenha mais a ver com o coração do que com a mente.

Meu neto não é judeu, já que nasceu de uma mãe não judia e eu o fiz fazer brit mila, porém não muda muito a situação, o que aliás me incomoda; eu queria que fosse judeu, porém, não por uma questão religiosa.

Enfim, acho que com estas perguntas estou começando uma procura a qual você tem me ajudado muito, o que novamente lhe agradeço.

6.

De: Rabino Eliezer Shemtov
Para: Dr. Mario Grinberg
Data: 27 de julho de 2006
Assunto: Perguntas

Prezado Dr. Mario,

Em sua última carta você se referiu a três questões:

  1. A raiva ou indiferença a D’us;
  2. O que fazer para cultivar a fé;
  3. Netos não-judeus.

No seu primeiro e-mail tive a impressão que você estava zangado ou desapontado com D’us porque você relacionou questões de aparente “injustiça” com a falta de fé.

Se o Holocausto não tivesse acontecido e não existisse sofrimento, você acreditaria em D’us? Em minha opinião, não. Porque o fato de você não querer ou não poder acreditar em D’us é que tornam as coisas injustas.

Com relação à fé, existem duas medidas a serem tomadas:

  1. Eliminar os obstáculos para obtê-la;
  2. Cultivá-la.

Duvidar é o principal obstáculo que impede a aceitação de D’us, por exemplo suas perguntas sobre a justiça divina e a existência do sofrimento.

Mesmo se suas dúvidas fossem esclarecidas, ainda não seria suficiente para remover todos os obstáculos para você ter uma relação positiva com D’us.

Vejamos:

Quanto ao “obstáculo” do sofrimento, a maioria de nós não se surpreende quando D’us faz coisas que não compreendemos. D’us é infinito. Nós somos finitos. Por acaso um ser finito pode entender o infinito?

Pode-se dizer que as coisas “fluem” de acordo com uma justiça incompreensível ou acreditar num caos desgovernado...

Ao observamos o mundo, supomos que foi criado por uma forma de inteligência superior. Basta olhar nossos dedos no teclado e nos maravilharmos como se movimentam.

Faz sentido acreditar no surgimento do mundo a partir do Big Bang?
Para mim, é evidente que existe um criador que fez o mundo por um motivo. (Na realidade, Ele continua criando mas isso é outro assunto...)

Agora que aceitamos estas premissas, podemos prosseguir:

Primeiro, nos informamos. Em seguida, compreendemos. Depois, sentimos. Então nos motivamos a fazer algo.

Existe uma maneira express: quando alguém se inspira diretamente.
É possível também começar pela ação e chegar à compreensão.

Não é necessário comprovar ou explicar a inspiração porque é algo visceral. (Mas para ser canalizada e expressada precisa de informações).

Se entendi bem, você gostaria de ter esse vínculo com D’us, mas não sabe como.

Se você concordar com o que foi exposto até agora, podemos prosseguir com o “como”.

A respeito de seus comentários sobre netos não-judeus, gostaria de saber se não for pela “religião”, qual o outro motivo para ser judeu?

Acho que já está ficando tarde...

Atenciosamente,

Rabino Eliezer

7.

De: Dr. Mario Grinberg
Para: Rabino Eliezer Shemtov
Data: 28 de julho de 2006
Assunto: Perguntas

Prezado Rabino Eliezer,

Gostaria de saber a sua idade para ter uma idéia melhor a seu respeito.

Espero que seu Shabat seja repleto de saúde e alegria junto à sua família.

Reflito muito sobre seus e-mails, que me fazem lembrar do costume judaico de responder perguntas com outras perguntas.

“Quanto ao ‘obstáculo’ do sofrimento, a maioria de nós não se surpreende quando D’us faz coisas que não compreendemos. D’us é infinito. Nós somos finitos. Por acaso um ser finito pode entender algo infinito?”

Concordo com o Rabino que não é nenhuma surpresa, o problema é que sua definição de infinito não é a mesma que a minha. Receio ofendê-lo e por isso tentarei explicar da melhor forma possível.

Lembro que quando era jovem, costumava estudar na casa de um amigo não-judeu. Uma vez, apareceram dois jovens da “Igreja dos Últimos Dias” ou protestantes. Eles explicaram os preceitos da religião para atrair seguidores, mas quando questionamos, disseram que era um “dogma de fé”.  Acho que é uma questão de fé guiada pelo coração.

“A inspiração não precisa ser explicada racionalmente ou comprovada empiricamente. É algo que vem de dentro. (Mas ela precisa de informações para ser canalizada e expressada.)” 

Concordo plenamente, na realidade este diálogo faz parte das informações que necessito e espero complementar com a leitura dos textos sugeridos pelo Rabino.

“A respeito de seus comentários sobre netos não-judeus, pergunto: se não é devido ’religião’, qual o motivo para ser judeu?”  

Sinto-me profundamente judeu, gostaria que meus filhos tivessem casado com judias como eu. Meus pais não eram religiosos, mas eram judeus por tradição, cultura e história, e por eles gostaria que meu neto fosse judeu.

Ele tem três anos e está numa escola judaica. Talvez sou culpado por ele não ser judeu.

Mas minha filha é religiosa e todos os meus filhos estudaram em escola judaica e receberam a mesma educação...

Um abraço e novamente Shabat Shalom,

Dr. Mario Grinberg

8.

De: Rabino Eliezer Shemtov
Para: Dr. Mario Grinberg
Data: 28 de julho de 2006
Assunto: Perguntas

Prezado Dr.Mario,

Abaixo respondo às suas perguntas no e-mail anterior:

“Gostaria de saber a sua idade para ter uma idéia melhor a seu respeito.”

Tenho 44 anos.

“Espero que seu Shabat seja repleto de saúde e alegria junto à sua família.”

Obrigado, faço os mesmos votos para você e sua família.

“Reflito muito sobre seus e-mails, que me fazem lembrar do costume judaico de responder perguntas com outras perguntas:

 Quanto ao ‘obstáculo’ do sofrimento, a maioria de nós não se surpreende quando D’us faz coisas que não compreendemos. D’us é infinito. Nós somos finitos. Por acaso um ser finito pode entender algo infinito?

 Concordo com o Rabino que não é nenhuma surpresa, o problema é que sua definição de infinito não é a mesma que a minha. Receio ofendê-lo e por isso tentarei explicar da melhor forma possível.”

Este é um tema que gera diversas interpretações.

“Lembro que quando era jovem, costumava estudar na casa de um amigo não-judeu. Uma vez, apareceram dois jovens da ‘Igreja dos Últimos Dias’ ou protestantes. Eles explicaram os preceitos da religião para atrair seguidores, mas quando questionamos, disseram que era um ‘dogma de fé’. Acho que é uma questão de fé guiada pelo coração.”

Não saber por que se faz algo e dizer porque o costume manda é diferente de dizer porque D’us fez esta ou aquela coisa...Alguém que não sabe o que e faz a entre que na pessoa que nara nfaz é um tolo. Mas quem admite que faz mesmo sem saber porque D’us o fez, está sendo sincero consigo mesmo, além de reconhecer suas próprias limitações.

A inspiração não precisa ser explicada racionalmente ou comprovada empiricamente. É algo que vem de dentro. (Mas ela precisa de informações para ser canalizada e expressada.)

 Concordo plenamente, na realidade este diálogo faz parte das informações que necessito e espero complementar com a leitura dos textos sugeridos pelo Rabino.”

Minha sugestão é começar com esse excelente livro Rumo a uma vida plena de sentido. Você pode encontrar no Chabad ou na biblioteca Kehot www.kehot.com.ar

A respeito de seus comentários sobre netos não-judeus, pergunto: se não é devido ’religião’, qual o motivo para ser judeu?

 Sinto-me profundamente judeu, gostaria que meus filhos tivessem casado com judias como eu. Meus pais não eram religiosos, mas eram judeus por tradição, cultura e história, e por eles gostaria que meu neto fosse judeu.

Ele tem três anos e está numa escola judaica. Talvez sou culpado por ele não ser judeu.

 Mas minha filha é religiosa e todos os meus filhos estudaram em escola judaica e receberam a mesma educação...”

Não entendo. Se ser judeu é somente uma questão de ‘tradição, cultura e história’, o que importa que as mães de seus netos sejam judias? Mesmo se não forem, eles não podem receber ‘tradição, cultura e história’?

Penso que é necessário definir melhor esta condição de se sentir ‘profundamente judeu’. Os ensinamentos chassídicos chamam de ‘essenciais’ , ‘pintele id’, ‘neshume’. É a alma judia que é intacta, não importa as circunstâncias externas. Acho que agora temos um excelente ponto de partida: como se explica essa sensação de se sentir ‘profundamente judeu’?

“Um abraço e novamente Shabat Shalom”

Igualmente.

Rabino Eliezer